15.7.14

tenho tido tantas conversas de verão, conversas de café ao som da natureza que envolve a vila, conversas simples com sorrisos simples - é por isso que eu gosto do verão e este ano ainda mais: porque me trouxe de volta às minhas origens, porque me deu de novo a paz de acordar perto de um silêncio incomparável, porque me aproximou das pessoas que o meu primeiro ano de faculdade me afastou,... eu voltei e há dias quando me perguntavam o que mudou em mim depois deste primeiro ano eu fiquei, irremediavelmente, perpetrada num minuto de silêncio que extravasa qualquer nostalgia, qualquer momento melancólico e eu sentia uma vontade enorme em dizer tanta coisa que acabei por me render ao silêncio e só depois de baixar o olhar é que me verbalizei. é verdade, muito do que eu sou é fruto do que o porto fez de mim: os primeiros tempos foram muito duros, sentia-me tremendamente perdida, vazia e presa à relação simbiótica que sempre teci com a minha irmã e com a minha mãe e que, 17 anos depois, não estavam comigo ao acordar, ao almoço, ao jantar,... e isso foi, muito provavelmente, o mais dificil de superar - a mudança mais brusca. e depois, como não poderia ser de outra forma, o ruído sempre constante de uma cidade que não pára, as luzes ligadas de uma noite que não podia ser escura, a indiferença dos rostos que se cruzavam com o meu e a solidão de estar rodeada de gente desconhecida. não foi fácil mas eu tinha que escrever uma história nova e confesso que nos primeiros tempos eu aprendi, antes de mais, a estar sozinha; aprendi a construir a minha própria força e comecei a sentir-me independente, mais dona de mim própria, mais capaz de fazer as minhas próprias escolhas e reaprendi a andar, reaprendi a ver as coisas e a sentir falta do que eu achava que tinha em demasia - as palavras da minha mãe. mas fiz amigos, conheci pessoas que espero que continuem a escrever comigo a minha história e as quais foram cruciais para a minha adaptação. conheci lugares novos e percebi que a beleza existe, basta observar o belo num olhar que ultrapassa o óbvio, passar para o lado de lá, ir mais além sem sair do mesmo lugar... por opção própria, em tardes livres, eu visitava o porto sozinha, nas primeiras semanas eu percorria ruas só eu e só comigo - sempre achei que se eu visitar sozinha já não vou ter a tendência de me reservar ao grupo de pessoas que levo comigo e torno-me mais exploradora - e isso levou-me a perceber que há coisas que o tempo não apaga, mas perpetua: as histórias das gentes, das pessoas que contavam oitenta anos e vida e se sentam, ainda hoje, nos bancos dos Aliados a contar o que nunca viram mudar. e como é bela a cidade. e como foi belo o meu primeiro ano de faculdade. apesar dos tempos dificéis, que englobam a adaptação, só trago boas recordações da invicta. e no dia do meu último exame trouxe o sorriso rasgado de saudade. acho tão bonito ser-se feliz assim, de forma simples. e o meu curso surpreendeu-me tanto. voltei, mas em setembro regresso. e que feliz que fico por saber que assim é.

4 comentários:

  1. Aleluia!
    Finalmente o regresso de um blogue que esteve demasiado tempo silencioso.
    Espero que seja para continuar com a regularidade possível.
    Porque bem sei que agora os teus desafios são outros e bem mais exigentes.
    Mas um tempinho para escrever tem de existir.
    Sempre!

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  2. Apesar das palavras nunca serem suficientes para expressar aquilo que sentimos, conseguiste, neste texto, transpor uma grande parte, senão toda, de uma amálgama de sentimentos que muitos universitários possuem no primeiro ano. Faz tudo parte da vida. E quando as coisas se fazem por coração, tudo se torna mais fácil. Uma coisa que podemos levar da faculdade, de certeza, é mesmo o facto de nunca estarmos sozinhos. Continua a escrever, e acima de tudo, sê feliz, tal como o disse a Cláudia M. ;)

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ohh muito obrigada dsd já por me visitars, mas um especial agradecimento por deixares a tua opiniao :) beijinho